Acordo Coletivo Especial é tema de debate em Recife

“Queremos construir uma massa crítica para barrar mais esse ataque a nossa classe”

Aconteceu na noite da última quarta-feira (14) um debate sobre o Acordo Coletivo Especial – ACE – proposto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A atividade faz parte de uma série de ações impulsionadas pela CSP-Conlutas e outros grupos políticos para organizar a luta contra mais esse ataque aos direitos trabalhistas.

O evento foi organizado pela regional Pernambuco da CSP-Conlutas e da ANEL e pelos sindicatos: SIMPERE (Professores do Recife) e SINTECT (Trabalhadores dos Correios), mas contou com a participação de diversas categorias, tais como, judiciário, rodoviários, metalúrgicos, comerciários, professores estaduais, trabalhadores da construção civil pesada e da Compesa, entre outras.

Atnágoras Lopes, da executiva nacional da CSP Conlutas, participou da mesa de abertura e fez questão de dizer que o debate era apenas o primeiro passo. “Estamos aqui para trocar informações com base em argumentações sólidas para construir uma massa crítica para barrar mais esse ataque a nossa classe”, explicou Atnágoras.

Em sua explanação, Lopes afirmou que os ataques aos direitos dos trabalhadores não acontecem apenas no Brasil. Ele falou do que vem acontecendo na Europa com a crise mundial e lembrou a greve unificada que acontecia na continente. “Hoje, no mesmo dia em que estamos debatendo o ACE, acontece o que pode ser considerado até agora como o maior grau de unidade europeu, onde três países estão em greve contra a retirada de direitos”, afirma. “O velho continente se levanta, juventude e trabalhadores juntos, contra o pacote de austeridade dos governos, contra a quebra de direitos. É um exemplo para todos nós”, completou.

Em relação ao ataque dos direitos no Brasil, o representante da executiva da CSP-Conlutas fez um resgate das tentativas de destruição da CLT. Começou com FHC, na tentativa de alterar o artigo 618 da CLT, mas não teve êxito. Ele também lembrou da Reforma sindical e trabalhista proposta pelo governo Lula (PT), com apoio da CUT e da Força Sindical, mas também foi derrotada. No governo Dilma (PT) a quebra de direito vem com um diferencial. Agora quem está propondo as mudanças são organizações históricas da luta dos trabalhadores: O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a própria CUT.

“PT e CUT se lambuzaram nos gabinetes do governo e jogaram fora a história de lutas da classe trabalhadora que eles dirigiam na década de 80”, alfinetou Atnágoras lembrando o importante papel histórico dos metalúrgicos do ABC. “Hoje essas organizações defendem a colaboração de classe e por isso estamos aqui não só para debater o ACE, mas para também falar que somos contra essa concepção sindical”, afirmou. “Defendemos um sindicato classista e combativo que não tenha meio termo, que tenha lado e esse lado é dos trabalhadores. Só com um instrumento assim podemos organizar a luta contra o ACE”, completou.

“Eles colocam na proposta o nome ESPECIAL para confundir nossos companheiros e companheiras. Esse acordo não é especial para nós, mas sim para os empresários e os banqueiros.”, criticou Atnágoras.

 

 

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