O Sindicato Municipal Dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (SIMPERE) realizou, nesta segunda-feira, 14 de setembro, uma Assembleia Geral para debater os desafios colocados para a educação pública diante das Eleições Gerais de 2026. No centro da discussão esteve a carta aberta apresentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que reúne dez pautas prioritárias para a defesa da escola pública, da valorização profissional e dos direitos da população brasileira.
O debate contou com a presença e contribuição de Heleno Araújo, da Internacional da Educação, que trouxe reflexões sobre a conjuntura educacional e a importância da organização dos trabalhadores e trabalhadoras diante das disputas que atravessam a educação pública. Sua participação reforçou a necessidade de conectar as reivindicações vividas no cotidiano das redes de ensino aos desafios mais amplos enfrentados pela educação.
A atividade contou também com importantes candidaturas do campo democrático, convidadas a conhecer e assumir compromissos com a plataforma construída pelos trabalhadores e trabalhadoras em educação. Mais do que apresentar reivindicações, a assembleia colocou a educação no centro do debate político em um momento decisivo para professoras e professores do Recife.
Para o SIMPERE, discutir as eleições com a categoria significa discutir os projetos que estarão em disputa nas urnas e suas consequências para quem vive diariamente a realidade das escolas. Piso salarial, carreira, concursos públicos, financiamento, gestão democrática e condições de trabalho dependem de decisões políticas tomadas nos governos, parlamentos e demais espaços institucionais.
Educação pública no centro do debate eleitoral
A carta apresentada pela CNTE é dirigida à sociedade, aos trabalhadores e trabalhadoras em educação e às candidaturas que disputam as eleições deste ano. O documento chama atenção para uma questão concreta: os avanços previstos nas políticas educacionais precisam sair do papel e chegar às escolas, aos estudantes e aos profissionais da educação.
Entre as prioridades estão a ampliação do investimento público em educação, com a defesa da aplicação de recursos equivalentes a 10% do Produto Interno Bruto (PIB); o fortalecimento do Fundeb; a regulamentação do Custo Aluno Qualidade (CAQ); a realização de concursos públicos; a garantia de carreiras atrativas; o cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério vinculado aos planos de carreira; e a ampliação da gestão democrática.
A plataforma também se posiciona contra a privatização da educação pública, a terceirização dos servidores e servidoras e a implantação de escolas cívico-militares. Defende currículos emancipadores, formação profissional, aposentadoria digna, melhores condições de trabalho, cuidado com a saúde e políticas de enfrentamento às diferentes formas de discriminação e violência.
São pautas nacionais que encontram eco direto na realidade da Rede Municipal do Recife. A valorização da carreira, a garantia dos direitos profissionais e melhores condições de trabalho fazem parte das lutas que a categoria constrói cotidianamente e que não podem desaparecer da agenda política depois das eleições.
Compromisso com a educação precisa continuar depois das urnas
Ao reunir a categoria para este debate, o SIMPERE reafirmou que o diálogo com quem disputa representação política precisa ser acompanhado de compromissos concretos. A defesa da educação pública não pode aparecer apenas como uma declaração durante a campanha: precisa se traduzir em orçamento, legislação, políticas públicas e posicionamento diante das pautas que atingem diretamente as escolas e seus profissionais.
Durante a assembleia, as candidaturas presentes assumiram compromisso com a defesa da educação pública e com as reivindicações apresentadas pela categoria. O debate reforçou também o papel que o SIMPERE historicamente cumpre de organizar a categoria, apresentar suas reivindicações e fazer com que a voz das professoras e dos professores do Recife esteja presente nos espaços onde são tomadas as decisões que afetam a educação.
A carta da CNTE reforça que o voto também é uma oportunidade para avaliar quais projetos políticos estão comprometidos com uma educação pública, gratuita, laica, democrática, inclusiva e socialmente referenciada.
Para o SIMPERE, essa construção passa pela participação política das professoras e dos professores. A escola pública que queremos está diretamente ligada ao projeto de cidade, de estado e de país que será escolhido nas urnas.
Por isso, a assembleia desta segunda-feira não encerra o debate. Ao contrário, reforça a necessidade de a categoria conhecer propostas, cobrar compromissos e acompanhar os posicionamentos daqueles e daquelas que pretendem representá-la, elegendo projetos comprometidos com a defesa intransigente da educação pública, gratuita e de qualidade.
Votar na educação é defender a escola pública, a valorização profissional e o futuro de milhões de estudantes.
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