Seminário do SIMPERE apresenta pesquisa sobre adoecimento docente e defende cuidado como parte da luta coletiva

Realizado nesta quinta-feira (20), na UNICAP, encontro reuniu cerca de 250 professoras e professores para debater condições de trabalho, saúde mental, direitos e organização dos trabalhadores da educação. Levantamento do sindicato aponta que 78,9% dos participantes identificam relação direta entre o trabalho docente e o adoecimento psicológico

Seminário do SIMPERE apresenta pesquisa sobre adoecimento docente e defende cuidado como parte da luta coletiva
Realizado nesta quinta-feira (20), na UNICAP, encontro reuniu cerca de 250 professoras e professores para debater condições de trabalho, saúde mental, direitos e organização dos trabalhadores da educação. Levantamento do sindicato aponta que 78,9% dos participantes identificam relação direta entre o trabalho docente e o adoecimento psicológico

O SIMPERE realizou, nesta quinta-feira (20), na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), o seminário “Cuidar de si e de nós também é luta!”. A atividade reuniu cerca de 250 professoras e professores e promoveu debates sobre o adoecimento psicológico da categoria, as condições de trabalho nas escolas, a defesa de direitos e a necessidade de construir respostas coletivas para a saúde dos educadores.

A programação foi organizada a partir de três eixos: a unidade entre centrais sindicais e sindicatos, a defesa do trabalho digno no chão da escola e a relação entre cuidado, organização coletiva e luta. A abertura contou com as falas de Jaqueline Dornelas e Anna Davi, diretoras do SIMPERE, de Helmilton Bezerra, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), e Paulo Rocha, da Central Única dos Trabalhadores (CUT). As intervenções destacaram a importância da articulação sindical diante dos desafios enfrentados pelos trabalhadores da educação.

Entre os convidados, estão também Alessandro Carvalho, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), e Admilson Machado, do Sindsprev-PE (Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social, Saúde, Previdência, Trabalho e Assistência Social no Estado de Pernambuco).

O evento ocorre no contexto de uma mobilização promovida pelo SIMPERE ao longo deste mês para ampliar a escuta da categoria. A entidade convocou professoras e professores da Rede Municipal do Recife, independentemente da função exercida ou do vínculo de trabalho, para a paralisação das duas últimas aulas e para um debate sobre a saúde dos profissionais da educação.

Para Jaqueline Dornelas, diretora do SIMPERE, a organização coletiva é fundamental para enfrentar os desafios colocados para a educação.

“A unidade da classe trabalhadora é fundamental para enfrentar os desafios que estão colocados para a educação. O adoecimento não pode ser tratado como um problema individual de quem está na escola. Ele está relacionado às condições em que trabalhamos e precisa ser enfrentado com organização e mobilização”.

Anna Davi, também diretora do SIMPERE, destaca que o debate sobre saúde é parte da organização sindical.

“Abrir esse debate é também abrir um novo espaço de organização da categoria. O SIMPERE tem colocado a saúde das professoras e dos professores como uma pauta de luta, porque não existe valorização profissional quando trabalhadoras e trabalhadores estão adoecendo. Saímos desse encontro com mais elementos para cobrar a Prefeitura e para fortalecer a organização da categoria na defesa de condições dignas de trabalho”.

Um dos principais momentos do encontro foi a apresentação feita pela também diretora Eva Azevedo dos resultados do levantamento exploratório institucional realizado pelo SIMPERE entre 18 de março e 15 de abril de 2026. A pesquisa reuniu 470 participantes e buscou sistematizar informações sobre as condições de trabalho, as experiências de sofrimento e exaustão emocional, os afastamentos e a percepção da categoria sobre a relação entre trabalho e adoecimento psicológico.

De acordo com o relatório, 352 participantes, o equivalente a 74,9%, afirmaram já ter recebido diagnóstico por problemas emocionais ou psicológicos. Quando questionados sobre a relação entre o trabalho docente e o adoecimento psicológico, 371 pessoas, ou 78,9% dos participantes, consideraram que existe uma relação direta. Entre as pessoas que relataram ter recebido diagnóstico, a ansiedade foi a condição mais mencionada, com 75,3% das respostas, seguida pelo estresse, com 57,1%, pela depressão, com 51,7%, e pelo burnout, com 32,4%.

A análise qualitativa dos relatos também identificou fatores relacionados à organização e às condições de trabalho. O excesso de demandas, o acúmulo de funções e a intensificação do trabalho apareceram em 54% dos registros analisados. A falta de suporte, apoio e acolhimento foi identificada em 34,5% dos registros. Também foram mencionados o descompasso entre as demandas da educação inclusiva e os recursos disponíveis, presente em 22,6% dos relatos, além de situações de violência, ameaças e outros eventos traumáticos, identificadas em 8,9% dos registros.

Para Bianca Lima, que conduziu a mesa sobre trabalho digno, a discussão sobre o adoecimento precisa estar vinculada à forma como o trabalho é organizado e às condições concretas encontradas pelos profissionais nas escolas. Durante o seminário, ela apresentou o Coletivo Acolher, iniciativa do SIMPERE voltada à escuta, ao acolhimento e à construção de ações em defesa da saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores da educação.

“A Jornada começou com esse encontro, mas ela não termina aqui. A partir de agora, seguimos construindo esse debate junto ao Coletivo Acolher do SIMPERE, ampliando a escuta e pensando ações concretas para enfrentar o adoecimento na nossa rede. Precisamos transformar essa discussão em organização e em cobrança por políticas permanentes de prevenção e cuidado”.

O relatório ressalta que os resultados não constituem um diagnóstico representativo de toda a Rede Municipal de Ensino do Recife e não permitem estabelecer, isoladamente, relações clínicas de causa e efeito. Ainda assim, oferece subsídios produzidos pela própria categoria para o debate sobre os riscos psicossociais relacionados ao trabalho e para a formulação de reivindicações junto à gestão municipal.

Eva Azevedo destaca que a pesquisa representa uma primeira etapa de um processo que terá continuidade com novas análises.

“A pesquisa nos dá uma primeira fotografia desse cenário e, principalmente, nos ajuda a identificar os caminhos que precisamos aprofundar. Agora vamos avançar nas análises, cruzar os dados e olhar com mais atenção para os diferentes fatores relacionados ao adoecimento da categoria. O relatório da primeira pesquisa já está disponível no site do SIMPERE para que professoras e professores possam conhecer os dados e acompanhar esse processo”.

A segunda etapa, realizada a partir da mobilização das duas últimas aulas, amplia o universo de escuta para além das 470 respostas do primeiro levantamento. Como os dados ainda estão sendo analisados, o SIMPERE deve divulgar posteriormente os resultados consolidados e as possíveis conclusões da nova rodada de pesquisa. Até lá, o número de mais de duas mil respostas já evidencia a dimensão da participação e o interesse dos profissionais em discutir as condições de trabalho e a saúde da categoria.

Ao dar visibilidade às experiências da categoria e transformar esses relatos em dados e propostas de ação, o SIMPERE fortalece a defesa de um trabalho digno, saudável e livre de violência para as trabalhadoras e os trabalhadores da educação.

Leia a pesquisa, na íntegra.

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